Copo de vidro com kombucha âmbar servida gelada sobre superfície de mármore branco Copo de vidro com kombucha âmbar servida gelada sobre superfície de mármore branco

Kombucha benefícios: o que a ciência mostra e o que é exagero

Copo de vidro com kombucha âmbar servida gelada sobre superfície de mármore branco

Kombucha é um chá fermentado por uma cultura simbiótica de bactérias e leveduras chamada SCOBY, e seus benefícios mais citados envolvem saúde intestinal, antioxidantes e imunidade. Parte dessas alegações tem estudo em humanos, ainda que preliminar. Outra parte só foi testada em laboratório ou em animais. E uma parte é repetição de marketing sem respaldo científico.

Este texto existe porque kombucha é uma das categorias de bebida com maior distância entre o que se promete e o que se comprovou. O Empório Sem Álcool vende kombucha, e é exatamente por vender que temos a obrigação de separar evidência de hype: quem escolhe o que bebe merece informação correta.

Nas próximas seções você encontra os benefícios organizados por nível de evidência, a resposta direta para “kombucha emagrece?” e o ponto que quase ninguém entrega quando o assunto é kombucha benefícios (ou kombucha beneficios, sem acento): quanto álcool a kombucha realmente tem, o que diz a lei brasileira, e por que isso importa para quem decidiu não beber.

Pontos importantes

  • Kombucha é chá (preto, verde ou branco) adoçado e fermentado por uma cultura simbiótica de bactérias e leveduras, o SCOBY, por 7 a 21 dias.
  • O benefício com melhor evidência em humanos é o alívio de sintomas gastrointestinais e um possível efeito sobre a glicemia de jejum, ambos apoiados em ensaios pequenos e preliminares.
  • Kombucha não emagrece, não desintoxica e não previne doenças. Essas alegações não têm respaldo em estudos com humanos e não são permitidas na comunicação de alimentos no Brasil.
  • Toda kombucha contém álcool residual da fermentação. A legislação brasileira permite até 0,5% v/v na kombucha classificada como sem álcool, e só autoriza o selo “zero álcool” em produtos com até 0,05% v/v.
  • Gestantes, lactantes, pessoas imunossuprimidas e quem tem doença hepática ou renal grave devem evitar ou consultar um médico antes de consumir.

Neste artigo

O que é kombucha e como ela é fermentada

Kombucha é a bebida fermentada obtida a partir de chá adoçado e de uma cultura simbiótica de bactérias e leveduras. Essa cultura é conhecida pela sigla SCOBY, do inglês Symbiotic Culture Of Bacteria and Yeast, e costuma ser descrita como “a manta” que flutua na superfície do líquido durante a fermentação.

A base é sempre chá feito a partir da Camellia sinensis, preto, verde ou branco, adoçado com açúcar. É por isso que kombucha tem cafeína: ela vem da folha de chá, não é adicionada à parte, e a quantidade varia conforme o tipo de chá e o tempo de infusão.

Durante a fermentação, as leveduras do SCOBY convertem o açúcar em etanol e gás carbônico. Em seguida, as bactérias acéticas transformam boa parte desse etanol em ácido acético e outros ácidos orgânicos, o que dá à kombucha o sabor levemente azedo. O que sobra desse processo é o teor de álcool residual, tema detalhado mais à frente. Não é adulteração nem defeito: é bioquímica de fermentação, a mesma lógica do vinagre e do pão de fermentação natural.

Jarra de vidro com chá em fermentação e cultura SCOBY sobre mármore branco

A fermentação primária costuma durar de 7 a 21 dias, embora a literatura registre variações de 3 a 60 dias conforme temperatura e receita. Depois vem, em geral, uma segunda fermentação com frutas, especiarias, flores ou ervas, etapa em que a bebida ganha sabores como gengibre, hibisco ou frutas vermelhas.

Quais são os benefícios do kombucha segundo a ciência

Os benefícios do kombucha com alguma evidência em humanos são poucos e modestos, e se concentram em conforto gastrointestinal e em um possível efeito sobre a glicemia de jejum. A maior parte das alegações que circulam sobre a bebida vem de estudos feitos em laboratório ou em animais, e não em pessoas: uma revisão sistemática publicada na Annals of Epidemiology encontrou apenas um único estudo com evidência empírica real em humanos entre toda a literatura disponível até então.

A tabela abaixo organiza cada alegação comum sobre kombucha benefícios pelo nível de evidência disponível. É o retrato mais honesto que existe hoje sobre o que essa bebida realmente faz.

Tabela 1, Kombucha: o que tem evidência e o que é mito

Alegação Nível de evidência O que se sabe de fato
Alívio de sintomas gastrointestinais Humanos, preliminar Ensaio clínico randomizado com 59 pessoas apontou menos sintomas ligados à motilidade
Redução da glicemia de jejum Humanos, preliminar Um ensaio piloto pequeno com pessoas com diabetes observou redução em 4 semanas
Melhora da microbiota intestinal Testado em humanos, sem efeito O mesmo ensaio de 10 semanas não encontrou melhora significativa
Presença de antioxidantes Comprovada, efeito clínico não Polifenóis e catequinas estão presentes, mas a quantidade varia muito e o benefício clínico não foi demonstrado
Ação antimicrobiana Só laboratório Inibiu bactérias em estudos in vitro, fora do corpo humano
Ação anti-inflamatória Só laboratório e animais Sem ensaio clínico que sustente alívio de doença inflamatória
Fortalecimento da imunidade Sem estudo em humanos Derivado de dados in vitro e da presença de vitaminas
Detox e desintoxicação Mito Não existe mecanismo demonstrado. Fígado e rins fazem esse trabalho
Emagrecimento Mito Nenhum estudo demonstrou perda de peso atribuível à bebida
Prevenção de doenças crônicas ou câncer Mito Sem evidência em humanos e alegação não autorizada no Brasil

Kombucha faz bem para o intestino?

Kombucha pode ajudar no conforto digestivo, mas a evidência de que ela altera a microbiota intestinal em humanos é fraca. Um ensaio clínico randomizado publicado na revista Foods, conduzido por Fraiz e colaboradores em 2024, acompanhou 59 pessoas com excesso de peso por 10 semanas, todas consumindo 200 mL diários de kombucha de chá verde dentro de uma dieta com restrição calórica.

O resultado, para ser dito com honestidade, foi misto. Não houve melhora significativa da microbiota intestinal nem da permeabilidade intestinal, o que contraria boa parte do que se promete sobre kombucha e probióticos por aí. Por outro lado, o grupo que tomou a bebida relatou menos sintomas gastrointestinais ligados à motilidade, além de mudanças no metaboloma sérico. Em português direto: a kombucha pareceu ajudar no desconforto do dia a dia, mas não reconfigurou o intestino como o marketing da categoria costuma sugerir.

Kombucha ajuda a controlar o açúcar no sangue?

Existe um único ensaio clínico randomizado, do tipo piloto e com amostra pequena, que sugere redução da glicemia de jejum associada ao consumo de kombucha. O ensaio clínico randomizado publicado na Frontiers in Nutrition, de Mendelson e colaboradores em 2023, acompanhou pessoas com diabetes tipo 2 por 4 semanas e observou queda na glicemia de jejum, mas os próprios autores declaram a limitação de amostra pequena e pedem mais estudos.

Esse resultado não é suficiente para recomendar kombucha como estratégia de controle glicêmico, e a bebida não trata nem substitui o tratamento de diabetes. Se você tem diabetes e quer incluir kombucha na rotina, confira o açúcar residual no rótulo antes: muitos produtos comerciais têm fermentação interrompida cedo ou recebem açúcar adicionado depois, o que muda completamente a carga de açúcar final.

Kombucha tem antioxidantes de verdade?

Sim, kombucha tem polifenóis e catequinas vindos do chá que a origina, e esses compostos têm ação antioxidante comprovada em laboratório. O que varia bastante é a quantidade: depende do tipo de chá, do tempo de fermentação e das condições de preparo de cada produtor.

O ponto que costuma faltar nessa conversa é que efeito antioxidante medido em laboratório não se traduz automaticamente em benefício clínico mensurável em uma pessoa que bebe um copo de kombucha por dia. “Rico em antioxidantes” é uma frase verdadeira e, ao mesmo tempo, pouco informativa sobre o que ela realmente muda na sua saúde.

Kombucha fortalece a imunidade?

Não há estudo em humanos que demonstre isso. A alegação vem da presença de vitaminas do complexo B e vitamina C na bebida, somada a estudos in vitro que mostraram atividade antimicrobiana contra bactérias como E. coli, S. aureus e L. monocytogenes, conforme revisão publicada no Journal of Food Science.

O problema é o salto lógico: inibir uma bactéria numa placa de laboratório, fora do corpo humano, não é a mesma coisa que prevenir infecção em uma pessoa que bebe kombucha. É uma correção direta a uma das alegações mais repetidas sobre a bebida, e que boa parte do conteúdo disponível sobre o tema afirma sem qualquer ressalva.

Kombucha emagrece?

Não. Não existe evidência de que kombucha cause perda de peso. É uma das perguntas mais buscadas sobre o tema, e a resposta honesta não é a que o marketing da categoria costuma sugerir.

O próprio ensaio de Fraiz e colaboradores (2024), citado acima, é a melhor demonstração disso: a kombucha foi consumida dentro de uma dieta com restrição calórica, e qualquer perda de peso observada no estudo veio da restrição de calorias, não da bebida em si.

Vale também desmontar o argumento do “detox”, que costuma aparecer colado ao discurso de emagrecimento. O corpo humano já tem fígado e rins fazendo esse trabalho de filtragem o tempo todo, e nenhum alimento “desintoxica” nada. A alegação de que o ácido glucurônico presente na kombucha ajudaria o fígado vem de bioquímica hepática geral, não de estudo clínico feito com a bebida.

Existe, sim, um ponto prático e honesto: kombucha pode ajudar indiretamente quem está reduzindo o consumo de refrigerante ou de bebida alcoólica, porque ocupa o lugar de uma bebida mais calórica com uma opção de menor densidade calórica. Isso é substituição, não emagrecimento, e a diferença importa. Vale reforçar também que uma kombucha comercial com fermentação interrompida cedo ou açúcar adicionado depois pode carregar uma quantidade de açúcar relevante, o oposto do que se espera de um produto associado a bem-estar.

Quanto álcool tem a kombucha e o que diz a lei brasileira

Toda kombucha tem álcool, porque a fermentação produz etanol a partir do açúcar do chá. No Brasil, a kombucha classificada como sem álcool pode ter até 0,5% de álcool em volume (v/v). Se você digitou “kombucha tem alcool” sem acento na busca, chegou ao lugar certo: a resposta é a mesma, com ou sem acento.

De onde vem o álcool

Como explicado na seção sobre fermentação, as leveduras do SCOBY convertem açúcar em etanol e as bactérias acéticas transformam boa parte desse etanol em ácido acético e outros ácidos orgânicos. O que sobra desse processo é o teor de álcool residual da bebida final. Não é falha de produção nem adulteração: é o resultado natural e esperado de qualquer fermentação com leveduras, do mesmo jeito que acontece no vinho e na cerveja antes de qualquer intervenção de dealcoolização.

O que diz a norma

A Instrução Normativa nº 41, de 17 de setembro de 2019, do MAPA, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, publicada no Diário Oficial da União, estabelece o Padrão de Identidade e Qualidade da Kombucha em todo o território nacional, e é a referência oficial para os números abaixo. Quem quiser o documento completo pode consultar o texto integral da IN 41/2019.

Tabela 2, Limites legais da kombucha no Brasil

Parâmetro Kombucha sem álcool Kombucha com álcool
Graduação alcoólica (% v/v) até 0,5 de 0,6 a 8,0
Pode usar “zero álcool” no rótulo só se tiver até 0,05% v/v não
Advertência obrigatória no painel principal “Pode conter álcool em até 0,5% v/v”, quando acima de 0,05% v/v classificada como bebida alcoólica
pH 2,5 a 4,2 2,5 a 4,2

Fonte: Instrução Normativa nº 41/2019 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Duas garrafas de vidro de kombucha sem rótulo lado a lado sobre mármore branco

A regra de rotulagem, que é o que mais interessa a quem não bebe

  • Se a kombucha tem mais de 0,05% v/v de álcool, o painel principal do rótulo é obrigado a informar a presença de álcool, nas mesmas dimensões da denominação do produto, com a frase de advertência “Pode conter álcool em até 0,5% v/v” e a declaração do teor no formato “Teor alcoólico: (% v/v)”, com tolerância de 0,1% v/v.
  • As expressões “zero álcool”, “zero % álcool” ou “0,0%” só podem ser usadas em produtos com até 0,05% v/v de álcool.
  • Acima de 0,5% v/v, o produto deixa de ser kombucha sem álcool e passa à categoria de kombucha com álcool, que vai de 0,6% a 8,0% v/v e é, para todos os efeitos, uma bebida alcoólica.
  • Existe kombucha com álcool à venda no mercado brasileiro, e ela é totalmente legal. É por isso que ler o rótulo importa de verdade, e não é excesso de cautela.

Se você escolheu não beber, leia isto
Toda kombucha fermentada tem álcool residual. A lei permite até 0,5% v/v na categoria sem álcool e só autoriza o selo “zero álcool” em produtos com até 0,05% v/v. Se o seu motivo para não beber é religioso, de recuperação de dependência química, de gestação ou de orientação médica, procure no rótulo o teor declarado e converse com quem acompanha você. A informação está no rótulo, e a decisão é sua.

Para colocar esse número em contexto, sem minimizá-lo: 0,5% v/v é o mesmo teto que o Brasil usa para classificar cerveja e outras bebidas como sem álcool. Quantidades nessa faixa também aparecem naturalmente em alimentos fermentados e em frutas bem maduras. Isso não muda a decisão de ninguém, apenas ajuda a calibrar a expectativa: para quem evita álcool por preferência ou por saúde geral, esse teor costuma ser irrelevante. Para quem evita por motivo religioso, por estar em recuperação de dependência química, por gestação ou por orientação médica, a decisão é pessoal e legítima, e agora você tem o dado completo para tomá-la. Se quiser entender o tema de forma mais ampla, o nosso guia completo de bebidas sem álcool explica como funciona a classificação para outras categorias além da kombucha.

Quanto kombucha tomar por dia

Não existe dose oficial estabelecida no Brasil para o consumo de kombucha. As referências mais usadas ficam entre 100 e 200 mL por dia para adultos saudáveis, com a orientação de começar por uma quantidade menor e observar como o corpo reage.

Não há dose padronizada porque a composição da kombucha varia muito conforme o chá usado, o tempo de fermentação e o açúcar residual de cada produtor. A orientação da Cleveland Clinic sobre quanto é seguro consumir, referência internacional em saúde, cita cerca de 120 mL diários (a mesma referência que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos usam) como uma quantidade geralmente segura para adultos saudáveis, sem efeitos adversos relatados nessa faixa.

Na prática, o mais seguro é começar com metade de uma porção, observar a tolerância digestiva por alguns dias, e ajustar a partir daí. Sirva sempre gelada e mantenha refrigerada depois de aberta, consumindo em poucos dias. E fique atento a um sinal de alerta simples: descarte qualquer garrafa que apresente mofo visível ou cheiro forte parecido com acetona.

Efeitos colaterais do kombucha e quando ele não é indicado

Os efeitos mais comuns do consumo de kombucha são digestivos e leves, como gases, inchaço e desconforto abdominal, e costumam aparecer sobretudo em quem começa com uma quantidade alta ou consome kombucha de origem incerta.

Efeitos colaterais mais comuns

  • Gases e distensão abdominal
  • Desconforto ou dor abdominal leve
  • Irritação estomacal em pessoas sensíveis à acidez

Parte desses sintomas se explica pela própria acidez da bebida: a norma brasileira define pH entre 2,5 e 4,2 para a kombucha, faixa que pode incomodar estômagos mais sensíveis.

Efeitos raros e o que a literatura registra

Existem relatos raros na literatura, associados sobretudo a consumo excessivo, consumo prolongado ou preparo caseiro sem controle sanitário, envolvendo náusea, vômito, dor de cabeça e acidose metabólica. O relato do CDC sobre doença grave associada ao consumo de kombucha documenta dois casos de doença grave em Iowa, nos Estados Unidos, em 1995, incluindo um óbito, em pessoas que bebiam kombucha caseira havia cerca de dois meses. A própria investigação, conduzida pelas autoridades de saúde americanas, não conseguiu estabelecer um elo causal definitivo entre a bebida e os casos.

É importante dizer isso sem alarmismo: esses casos são raros, e a maioria está ligada a produto mal fermentado ou contaminado, não à kombucha comercial produzida com controle sanitário adequado. A fermentação caseira sem controle de temperatura e tempo também traz risco de contaminação por mofo e micotoxinas, o que reforça a importância de procedência confiável quando o preparo não é o seu.

Quem não deve tomar kombucha

  • Gestantes, pelo teor alcoólico residual, pela cafeína do chá e por ser um produto fermentado com cultura viva não pasteurizada. A orientação é conversar com o obstetra que acompanha a gestação. Veja também o nosso conteúdo sobre grávida pode tomar cerveja sem álcool, que trata da mesma lógica de decisão informada.
  • Lactantes, pelas mesmas razões, também com orientação médica individual.
  • Pessoas imunossuprimidas, porque a bebida contém microrganismos vivos, que representam risco quando a imunidade está comprometida.
  • Pessoas com doença hepática, por relatos de toxicidade hepática associados a consumo excessivo e pelo teor alcoólico, mesmo que baixo.
  • Pessoas com doença renal grave, por precaução relacionada ao teor alcoólico.
  • Pessoas com distúrbios digestivos sensíveis à acidez, como refluxo, gastrite ou úlcera.
  • Pessoas com diabetes, não por proibição, mas por cuidado: é preciso conferir o açúcar residual no rótulo antes de incluir a bebida na rotina.
  • Pessoas sensíveis à cafeína, porque kombucha é feita de chá e contém cafeína.
  • Crianças pequenas, por precaução geral.

Kombucha é alimento, não remédio
Kombucha não cura, não trata e não previne doença. Nenhum alimento faz isso. Se você tem uma condição de saúde ou usa medicação contínua, converse com seu médico ou nutricionista antes de incluir kombucha na rotina.

Como escolher uma boa kombucha e o que olhar no rótulo

Uma boa kombucha se reconhece por quatro coisas no rótulo: o teor alcoólico declarado, a lista de ingredientes curta, a informação de açúcar e a data de produção.

  1. Teor alcoólico declarado. Vale a mesma regra explicada acima: acima de 0,05% v/v, o rótulo precisa informar a presença de álcool, e o selo “zero álcool” só pode aparecer em produtos com até 0,05% v/v.
  2. Ingredientes. Uma boa kombucha tem lista curta: chá, açúcar, cultura e, quando for saborizada, a fruta ou especiaria usada. Desconfie de listas longas e de aromatizantes artificiais.
  3. Açúcar residual. Uma fermentação mais completa consome mais açúcar ao longo do processo. Produtos muito doces costumam indicar fermentação curta ou açúcar adicionado depois de pronta.
  4. Pasteurizada ou não pasteurizada. A norma brasileira exige a palavra “pasteurizada” no painel principal quando aplicável. Na prática, a versão pasteurizada é mais estável e tem menos cultura viva, e a não pasteurizada é mais viva, mas exige refrigeração rigorosa.
  5. Data de produção e cadeia de frio. Kombucha é bebida viva. Frescor importa tanto quanto qualquer outro critério da lista.

Tabela 3, O que olhar no rótulo da kombucha

O que verificar Sinal bom Sinal de atenção
Teor alcoólico declarado no rótulo ausente ou ilegível
“Zero álcool” no rótulo produto com até 0,05% v/v expressão usada sem respaldo do teor declarado
Ingredientes lista curta: chá, açúcar, cultura, fruta ou especiaria aromatizantes artificiais, lista longa
Açúcar teor baixo, fermentação completa muito doce, indica fermentação curta ou açúcar adicionado
Pasteurização indicada com clareza no painel principal informação ausente
Data de produção recente, com cadeia de frio antiga ou sem refrigeração na prateleira

Na curadoria do Empório Sem Álcool, a seleção prioriza produtores com rastreabilidade clara e frescor de verdade, os mesmos critérios usados há 25 anos para escolher bebida para vender. Não é promessa de saúde, é procedência: você pode conferir a seleção de kombuchas do Empório e ver o cuidado por trás de cada rótulo, além dos combos e kits que reúnem kombucha e outras bebidas sem álcool para presentear ou montar um kit para casa.

Como incluir kombucha no dia a dia sem exagerar

Kombucha funciona melhor como substituição, ocupando o lugar do refrigerante, do drink alcoólico do fim de tarde ou até da água com gás, e não como um suplemento diário obrigatório.

Taça de kombucha com gelo e rodela de limão sobre mármore branco em composição minimalista

Sirva sempre gelada, entre 4 e 8 graus, de preferência numa taça ou copo de vidro que valorize a cor e as bolhas naturais da bebida. Abra a garrafa devagar: a pressão interna do CO2 natural da fermentação pode ser alta, e um susto no meio da cozinha ninguém quer.

Kombucha também funciona muito bem como mixer em drinks sem álcool, no lugar da água com gás, trazendo acidez e complexidade que uma bebida neutra não entrega. Se você está começando, sabores como uva costumam agradar mais. Quem já gosta de intensidade pode ir para gengibre, e quem tem familiaridade com acidez encontra em limão e hibisco uma combinação clássica. Vale também explorar o switchel, outra bebida fermentada leve, e conferir algumas receitas de mocktails que usam kombucha como base.

Perguntas frequentes sobre kombucha

Kombucha tem álcool?

Sim. Toda kombucha contém álcool residual, porque a fermentação produz etanol a partir do açúcar do chá. No Brasil, a kombucha classificada como sem álcool pode ter até 0,5% de álcool em volume, e a expressão “zero álcool” no rótulo só é permitida em produtos com até 0,05% v/v, conforme a Instrução Normativa nº 41/2019 do Ministério da Agricultura. Existe também kombucha com álcool, de 0,6% a 8,0% v/v, que é uma bebida alcoólica e deve estar identificada como tal.

Kombucha emagrece?

Não. Não existe estudo que demonstre perda de peso causada pela kombucha. Um ensaio clínico randomizado com 59 pessoas com excesso de peso testou kombucha de chá verde dentro de uma dieta com restrição de calorias, e qualquer redução observada veio da dieta, não da bebida. Kombucha pode ajudar indiretamente quem substitui refrigerante ou drink alcoólico por ela, mas isso é substituição, não emagrecimento.

Quem não pode tomar kombucha?

Gestantes, lactantes, pessoas com sistema imunológico comprometido e pessoas com doença hepática ou renal grave devem evitar ou consultar um médico antes. Quem tem refluxo, gastrite ou sensibilidade à acidez também deve ter cautela, porque a kombucha tem pH entre 2,5 e 4,2. Pessoas com diabetes e sensíveis à cafeína podem consumir, mas precisam conferir o açúcar residual no rótulo e lembrar que kombucha é feita de chá e contém cafeína.

Quanto de kombucha pode tomar por dia?

Não existe dose oficial definida no Brasil. As referências mais usadas ficam entre 100 e 200 mL por dia para adultos saudáveis, e fontes internacionais como a Cleveland Clinic citam cerca de 120 mL diários como quantidade sem efeitos adversos relatados. O mais seguro é começar com metade de uma porção, observar a tolerância digestiva por alguns dias e ajustar a partir daí.

Kombucha faz bem para o intestino?

Pode ajudar no conforto digestivo, mas a evidência é mais modesta do que se costuma dizer. Um ensaio clínico randomizado de 10 semanas encontrou redução de sintomas gastrointestinais ligados à motilidade em quem tomou kombucha, mas não encontrou melhora significativa da microbiota intestinal nem da permeabilidade intestinal. Kombucha não substitui probióticos prescritos nem tratamento médico para problemas digestivos.

Grávida pode tomar kombucha?

A orientação geral é evitar. São três motivos somados: o teor alcoólico residual da fermentação, a cafeína do chá que serve de base, e o fato de a kombucha ser um produto fermentado com cultura viva, em geral não pasteurizado. Não existe proibição absoluta em toda situação, mas a decisão deve ser tomada com o obstetra que acompanha a gestação.

Kombucha tem efeitos colaterais?

Os mais comuns são digestivos e leves: gases, inchaço e desconforto abdominal, especialmente em quem começa com quantidade alta. Existem relatos raros de náusea, vômito, dor de cabeça e acidose metabólica, quase sempre associados a consumo excessivo, consumo prolongado ou kombucha caseira preparada sem controle sanitário. Descarte qualquer kombucha que apresente mofo visível ou cheiro forte semelhante ao de acetona.

Sobre o autor

Leandro é o fundador do Empório sem Álcool, o maior e-commerce de bebidas sem álcool da América Latina. São mais de 25 anos no mercado, com pioneirismo na popularização de vinhos e espumantes sem álcool no país e detém o registro da marca «Sem Álcool» no INPI.

Conheça o autor e veja todos os artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *